Era uma vez um Jumento — O relato de uma história pelas lentes do renomado fotógrafo Marcelo Buainain

A Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte recebeu na última quinta-feira, 11, a obra – do fotógrafo e documentarista brasileiro Marcelo Buainain Era uma vez. Se trata de um projeto que visa contar a história de um animal – o jumento – que tanto contribuiu para o desenvolvimento do nordeste brasileiro e que, atualmente, parece estar condenado ao abandono, tendo se transformado, ainda, em sinônimo de atraso e lentidão.  Logo, se fosse alçado à condição de ser humano, creio que receberia o título de persona non grata nº 1. As referências pejorativas, resultantes do imenso desapreço, se contrapõem a visão do fotógrafo que, por meio da sua arte, tenta resgatar uma imagem mais positiva que, outrora, esse ilustre personagem do sertão possuía.

“Cheguei à triste conclusão de que Era uma vez o nosso litoral! Era uma vez o nosso povo! Era uma vez a esperança de um Brasil gigante, civilizado e exuberante! Assim, à medida que me aprofundava neste trabalho, conversava com as pessoas e documentava as realidades do sertão e litoral, fui compreendendo que o abandono dos jumentos simbolizava o descarte de uma cultura e valores que não precisariam ser desprezados em nome do desenvolvimento. Esse entendimento me levou também a perceber que Era uma vez o jumento, o jegue, o jerico, o burro, o roxinho…”, explica o fotógrafo

Eis que, Era uma vez …

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Na música Apologia ao Jumento, Luiz Gonzaga diz que “o jumento é nosso irmão” e “o maior desenvolvimentista do sertão”. Para exemplificar, o cantor e compositor conta, ainda, que o animal já arrastou lenha, madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha, contribuiu na construção de açudes, estradas de rodagem, carregou água para a casa do homem e já serviu como meio de transporte. O Rei do Baião ressalta também os maus-tratos – a que os animais são submetidos constantemente – como a injusta “recompensa” destinada àquele que deveria ser tratado com mais respeito, tendo em vista sua importância social, econômica e cultural. Não por acaso Buainain mostra, além dos animais nas fotografias, o homem. Como o artista (pois é o que ele é) costuma dizer: “não consigo fotografar sem inserir o ser humano no contexto”. E no ensaio fotográfico Era uma vez, sua presença é parte integrante, e primordial, para se fazer repensar a relação que há entre o ser humano e aquele que faz parte da história de um povo.

O Ensaio Fotográfico, Era uma vez, que já recebeu o XIII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Artes (Funarte) em novembro de 2013, ficará em exposição na Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte, Praça 7 de setembro, Centro, até dia 2 de fevereiro de 2015.

Um pouco mais sobre Marcelo Buainain

Ele nasceu em Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul e na década de 90 fixou residência na Europa onde realizou diversos trabalhos como free lancer para publicações brasileiras e europeias. No ano de 2002 voltou para o Brasil e foi morar na região nordeste do país. Como está escrito na biografia divulgada em sua página oficial, “em 2011, a revista brasileira PhotoMagazine incluiu Buainain entre os dez fotógrafos brasileiros da década e é neste ano que ele retoma a fotografia publicando o seu quarto livro, Mi Amas Vin, obra contemplada em 2013 no concurso internacional POY (Picture of the Year) Latam com a Menção Honrosa do Júri na categoria de Melhor Livro do Ano.”

mi amas vinMi Amas Vin – Demonstração de fé e devoção sob o olhar de Buainain

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Índia - Quantos Olhos tem uma Alma02Índia – Quantos olhos tem uma alma. Por Marcelo Buainain

E ai ? Gostou ? Então clique aqui para visitar a página oficial do fotógrafo Marcelo Buainain e, assim, saber mais sobre ele 🙂

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avatar_bruno_luis_barrosBruno Luis Barros
brunoluisbarros@hotmail.com

Um ser humano um tanto louco, ex-ator de teatro, formado em publicidade e propaganda e que acabou chegando à conclusão que quer mesmo é ser Jornalista. Firme em seu propósito, ele voltou para a sala de aula com o objetivo de estudar jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá. Nesta instituição se tornou pesquisador do Projeto de Iniciação Científica intitulado “Entre a ficção, realidade e entretenimento: Representações de Jovens da periferia na TV e no cinema” e, também, já teve artigos de opinião publicados no jornal impresso Diário Regional. Uma de suas características marcantes é o bom humor e a vontade constante de fazer outras pessoas sorrirem. Seu planos profissionais e pessoais? Ter o poder de transformar, todos os dias, o fato em notícia e, assim, transmitir a informação, promover o debate e a reflexão, quem sabe escrever um livro, pesar mais de 53 kg (ele tem fé que um dia conseguirá), fazer implante de cabelo e uma cirurgia para reduzir o tamanho do nariz.

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3 comentários em “Era uma vez um Jumento — O relato de uma história pelas lentes do renomado fotógrafo Marcelo Buainain”

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