“Apenas depois que você perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa”

Fight Club não é um filme sobre violência desenfreada e frases de efeito típicas de Blockbusters cheios de estereótipos de masculinidade. É um filme que traça um perfil de uma sociedade que vive uma anomia, ou seja, um processo de perda de objetivo e identidade. Perda essa que tenta ser reparada pelo constante consumo e criação de infinitos títulos e grupos sociais específicos (esteriótipos) para preencher um vazio existencial que nos toma por completo.

Quantas vezes nos deparamos com uma postura de auto-desaprovação? Centenas? Milhares de vezes? Estamos caminhando à margem de nós mesmo em favor de posturas que não acreditamos, mas que mantemos por senso comum, achismo ou simples imposição cultural. Nada do que somos parece importar, mas sim o status que dispomos ou o preço que as pessoas nos dão. Nossa profundidade acaba se tornando um poço de frustrações porque perseguimos um estilo de vida que desgasta o interior para ter um esteriótipo de bom aspecto exterior. Como se nos tornássemos frutas de cera em um mercado em que todos admiram a beleza, mas ninguém quer desfrutar do conteúdo. giphy (1)

 “Você não é o quanto de dinheiro você tem no banco”

Sentimos um enorme vazio que tentamos compensar através de materialismo fútil. Uma caneca customizada com citação de filme, uma camisa de uma série de tv na Coréia que só 200 pessoas conhecem, um estilo de música ruim (que no fundo não gostamos), mas encaramos como super culta e inspiradora, uma coleção aqui, um item raro ali. Tudo pra compensar uma frágil noção materialista que cultivamos e acreditamos se tratar de uma identidade. Esquecemos do que realmente se trata viver, em função de nos tornarmos nossa profissão, nosso esteriótipo social, nossa roupa, nosso estilo de música, nossa visão política. Um utilitarismo sistemático que nos impede de seguir nosso próprio caminho e também nos impede de nos enxergarmos nos outros seres humanos à nossa volta. Seres estes que são exatamente como nós no sentido de busca à felicidade.

giphy

 “As coisa que você possui acabam possuindo você”

Estamos em um perfil de sociedade que condena o que chama de fracasso. Por isso, igual a todo mundo, queremos aprender a maneira de como vencer, mas nunca a maneira de como perder (- Bruce Lee). Não sabemos lidar, aceitar o erro, perder e simplesmente seguir em frente. Somos obcecados com o perfeccionismo do gênio prodígio. Tudo é plástico, perfeito e desprovido de profundidade. Então nos é ensinado a evitar o tropeço, ao invés de aprender a cair e nos levantar. Mas os tropeços sempre acontecem e nos custa muito tempo para levantarmos por ficarmos parados no mesmo lugar nos condenando por eles.

Não estamos preparados para encarar nossas fraquezas. Nos condicionamos a reprimir quem somos, nossas emoções, nossas verdadeiras intensões. “Jack” (Edward Norton) que não consegue se libertar dessa condição, externa sua autoimagem como Tyler Durden (Brad Pitt). Alguém que é uma expressão pura de seu subconsciente de aspirações. Alguém que consegue se expressar de uma maneira honesta e que sabe que seu valor não é algo a ser posto em uma etiqueta e contemplado como apenas mais um item colecionável.

Aprisionados por um ciclo infinito de medo, frustrações, pressões para nos tornarmos bem sucedidos, engomados de colarinho branco que olham com desdém os que ocupam “classes inferior”. Somos ludibriados por cargos de autoridade. A ponto de tentarmos usar nosso grau hierárquico de nossas profissões como privilégio em situações que não lhes cabem. Como um empresário que vai até um banco e tenta furar fila, mas quando questionado sobre sua má conduta retruca e diz “Sabe com quem está falando?”. Não consegue mais desvincular-se de seu status quo e acaba usando de uma posição de autoridade em algum contexto específico em um lugar em que essa posição não detém qualquer valor.

giphy (2)

“Se acordasse numa época diferente, em um lugar diferente, poderia você acordar como uma pessoa diferente?”

“O que fazer então?” Não há uma fórmula mágica. É preciso dedicação diária e aceitação. É preciso buscar nossa verdadeira natureza e destituí-la de posses. Nada nos pertence, não pertencemos a ninguém. Temos que cultivar nossa impermanência, nosso desapego. Temos que parar de julgar as coisas, segrega-las, cataloga-las em nossas mentes. Parar de querer tomar o controle de tudo o tempo todo. Parar de tentar nos preencher com rótulos e marcas como, por exemplo, por “Eruditos”, “Lindos”, “Famosos”, “Gordos”, “Magros”. Não somos uma marca famosa de camisetas esportivas, ou um gênero musical, ou uma porcaria de Jingle filosófico num comercial de cerveja na TV. Somos seres humanos. Imperfeitos, imprevisíveis e impermanentes. Não nos deixemos levar por uma ilusão de identidade extraída de religião, etnia, classe social, poder financeiro, torcida organizada, clube de leitura, etc. Somos seres com possibilidades infinitas que estão muito além de catalogações que fazem que pareçamos chili enlatado, em que todas as especificações estão no verso.

Temos que aceitar a nós mesmos. Buscar entender quem somos de verdade. Para então podermos nos expressar livremente. E caminhar aos poucos, passo à passo, em direção à verdadeira felicidade. Então, a partir de agora, vamos parar de correr atrás do que os outros querem que sejamos e simplesmente sermos nós mesmos!

 – Imagem de capa, GIFs e citações diretas são do filme Fight Club (Clube da Luta – Título Brasileiro -), uma adaptação de mesmo nome da obra de Chuck Palahniuk.

Anúncios

2 opiniões sobre ““Apenas depois que você perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa””

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s