O caminho do “canino interior”

Tenho treinado meu corpo para eliminar o “Gerundismo do Sofrimento Cíclico”.  Um procedimento que segue o padrão “ando por aí julgando, justificando e condenando” a tudo e a todos os perfis de pessoas das quais não concordo. Este é um comportamento que só traz angústia, cegueira, surdez e insensibilidade agudas na percepção, não só tanto em relação aos outros quanto em relação a si mesmo.

Estas ações bloqueiam a verdadeira visão das coisas. Passamos a usar uma espécie de óculos de realidade virtual, que projeta um mundo estático (plástico). Um lugar onde todos os elementos são etiquetados, catalogados e firmemente rotulados. Que faz com que não reconheçamos mudanças e não experimentemos o real conteúdo do universo ao nosso redor. Ficamos mais preocupados em criar um rótulo que seja confortável, a usar da experimentação, do convívio e da aceitação.Em busca da minha verdadeira essência, escolhi praticar o “caminho do meu canino interior”, que consiste na busca das qualidades inatas aos cães. Atitudes inspiradas nas virtudes caninas, como:

  • se ausentar de apegos à centralização da autoimagem (com sintomas como vaidade excessiva, avareza, orgulho e presunção);

  • dispor da capacidade de se satisfazer com apenas o necessário para viver, ou seja, não ser apegado às posses materiais e não exigir-se mental e fisicamente para satisfazer excessos e excentricidades de uma vida materialista;

  • ser fiel, prático, simples, honesto quanto ao que está sentido;

  • ter a eterna gratidão a tudo que se é, ao que se tem e às pessoas com quem pode compartilhar.

Mesmo que pareça não ter muito a que agradecer, gosto de praticar a satisfação e disposição aos pequenos gestos de doação: afeto, atenção e dedicação

. proverbio-chines-mensagem-direcao

A prática começa em minha mente. Nela me condiciono todos os dias a não fazer julgamento. Desde um simples “Essa pessoa me parece muito chata” até um “Não concordo em nada que fulano diz! Não deveria existir esse tipo de pessoa no mundo!”. Falas mentais que fazem com que eu coloque o mundo em torno de mim mesmo e o torne um lugar hostil e desconfortável. Afinal, passo a não mais dispor de uma perspectiva verdadeira e me tornar refém da impressão e superficialidade de meu próprio raciocínio preconceituoso. Isso me afasta da verdadeira essência de tudo – até mesmo da essência de mim mesmo -, que é responsável por uma insatisfação e culpa compulsórias.

Condiciono-me também a dizer mais expressões como “obrigado”, “por favor”, “não há de que” e “me desculpe”. Essas pequenas frases transformam o ambiente e minha relação com as pessoas que fazem parte de meu convívio. Acima de um simples gesto de boa educação, elas causam uma sensação de afeição e respeito, tanto por quem diz quanto por quem recebe. Isto fortalece o laço com outras pessoas, melhora o humor e tende a destruir más impressões.

Me proponho a deixar de lado o excesso de raciocínio lógico e tornar as coisas práticas. Conhecimento é ótimo, mas é melhor ainda se transformado em sabedoria. Eu sei que fumar faz mal e, além de só ter em mente essa informação, eu não fumo. Isto é transformar conhecimento (informação) em sabedoria (prática). Para mim, de nada adianta fazer um acervo de informações que não poderei usufruir em plano prático. Por fim, dedico-me a sentir mais e melhor as coisas. Busco compreender, aceitar e vislumbrar as qualidades dos rostos e dos objetos que compõem meu universo. Há sempre um labo bom em tudo. Saber reconhecer e aproveitar esse lado não me torna apenas mais otimista, me torna mais resiliente, ou seja, mais capaz de aceitar uma condição ruim e superá-la. il_340x270.400686642_gc20

Para começar a praticar:

Se você pretende seguir esse caminho, lembre-se: é uma prática, ou seja, é para ser desenvolvida diariamente. Observar-se dissociando o julgamento da visão e do pensamento é algo que requer condicionamento e disciplina.  Para começar, recomendo meditação (para aprofundar um pouco mais nesta excelente seleção de artigos do blog PapoDeHomem). Mas, se deseja ter uma base mais sólida e sobre fundamentos mais profundos, busque no Budismo (Um bom começo para quem não tem a mínima ideia sobre a prática, recomendo o site Sobre Budismo Buda Virtual). 

– A imagem de capa é uma adaptação da obra pintada à mão Meditation Time de Magen Mitchel, inspirada no cartoon Adventure Time (Hora de Aventura)  de Pendleton Ward.

Anúncios

3 opiniões sobre “O caminho do “canino interior””

  1. Uma reflexão realmente válida sobre nosso modo de vida, especialmente em tempos de mídias sociais. Hoje acabamos revelando algumas facetas da nossa personalidade que só poderiam antes serem vistas por pessoas mais próximas… e alguma facetas não são nada legais!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu vejo dois perfis de pessoas boas que não conseguem se entender por uma questão de julgamento uma com a outra. Essa necessidade artificial de ponderar e mensurar pessoas do mesmo modo que se faz com objetos é danosa. Levantar bandeiras e se dividir por causa de pequenas subjetividades nos torna menos tolerantes e menos cientes das qualidades mais primárias dos indivíduos ao nosso redor. Eu quero propor hoje que nos libertemos da superficialidade e nos enxerguemos como realmente somos: seres humanos que dispõem de escolhas e experiências únicas e enriquecedoras.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s