Por que ainda uso o Mozilla Firefox?

No momento em que escrevo esse post o Google Chrome é o navegador de internet mais popular, com mais de 60% do mercado. Então as chances de você estar usando o browser da companhia de buscas é grande. Por que, então, perder tempo usando outro navegador se o Google Chrome atende tão bem à maioria?

Vamos à história…

A partir do surgimento da internet cria-se um mundo de possibilidades. A tecnologia evolui, a comunicação melhora e o conhecimento passa a estar acessível virtualmente a partir de qualquer lugar do mundo. Ao longo das décadas de 1970 e 1980 os principais serviços de internet são transferência de arquivos (FTP), email, newgroups e acesso remoto. Alguns pesquisadores, entretanto, queriam mais.

Tim Berners-Lee, pesquisador do CERN, não estava satisfeito com os serviços existentes, queria uma nova tecnologia que facilitasse a colaboração entre os pesquisadores. Explorando o conceito de hipertexto (cunhado na década de 1950 – mas sem possibilidade de implementação prática na época), Tim propõe um novo serviço em 1989, que em 1990 é aperfeiçoado e chamado de World Wide Web – assim como surgem os conceitos de navegador web, servidor web e páginas web. Importante dizer que até então estamos falando de interface em modo texto. É isso mesmo: navegar na web envolvia o uso de comandos e o uso exclusivo de teclado – nada de mouse, figuras e etc.

Lynx – navegador web que utilizava modo texto (1992)

Em 1993 uma equipe liderada por Marc Andreessen desenvolve o Mosaic, o primeiro navegador gráfico. E é a partir deste momento que a web se torna cada vez mais popular. Já em 1994 surge a Mosaic Communications Corporation, que começa a explorar comercialmente a web, a princípio a partir da venda do navegador Mosaic Netscape. Posteriormente o navegador muda de nome para Netscape Navigator e a companhia também substitui o Mosaic por Netscape. A companhia fez tanto sucesso que muitos pensavam que seria a “próxima Microsoft”, tendo Andreessen sido capa da Time Magazine. Em 1995, um recorde: a companhia leva suas ações a público (IPO) e atinge no primeiro dia o valor de US$ 2.9 bilhões – o maior IPO da história até então.

Mosaic – primeiro navegador gráfico (1993)
Netscape Navigator rodando no Windows 3.1 (1994)

Falando em Microsoft, a companhia do Bill Gates até então via a internet como uma moda passageira. Tendo em vista o sucesso da Netscape, a Microsoft lança seu próprio browser: Internet Explorer. Com uma qualidade questionável, o navegador vinha gratuitamente no Windows. A Netscape entrou então com um processo na justiça. E ganhou. Mas ganhou tarde de mais. Os negócios definharam e em 1998 a empresa foi adquirida pela AOL – um mal negócio, diga-se de passagem.

Antes, entretanto, de vender a companhia, Andreessen leu um livro que mudaria completamente o curso da tecnologia: The Cathedral and the Bazaar, um clássico sobre software livre. O criador do Mosaic vê no software livre a possibilidade de imortalizar seu navegador, e toma então a decisão de liberar o código fonte. Foi criada a fundação Mozilla. O novo projeto tem diferentes nomes, como Phoenix (como na mitologia, a Fenix que resurge das cinzas do Netscape Navigator), substituido por problemas com uma empresa chamada Phoenix Technologies. O nome é mudado para Mozilla Firebird, tendo novos problemas com o banco de dados Firebird. Em 2004, depois de muita pressão, o nome é mudado para Mozilla Firefox.

Mozilla Firefox 1.0 – 2004

O ano de 2003 terminou com o Internet Explorer tendo mais de 80% de mercado. E a partir de 2004 esse número cai, enquanto o Firefox passa a ser cada vez mais utilizado. Em 2009 o Firefox já supera o Internet Explorer.

Em 2008 o Google resolve entrar nessa seara. A partir daí todo mundo já sabe o que aconteceu. O Chrome é cada vez mais utilizado e  Firefox vai caindo, tendo hoje pouco mais de 20% de mercado

Então, o motivo de eu ainda usar o Firefox é muito simples: o Firefox tem história. Uma história que começa com o surgimento do navegador gráfico, que conduz ao maior IPO da história e morre por conta de uma atitude anticompetitiva da Microsoft. Mas, como a Fênix, ressurge das cinzas e se imortaliza num projeto de código-fonte aberto.

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