A arte perdida de guardar segredos

A escritora Eva Rice simplesmente deu vida a uma história incrível e de amores. Diversos amores. A arte perdida de guardar segredos fascina pelos detalhes criados por Rice. Se passando no período pós Segunda Guerra Mundial, viajamos para a Inglaterra, precisamente, nos anos de 1954/55.

a-arte-perdida-de-guardar-segredos

O enredo é narrado por Penélope Wallace, uma jovem de 18 anos que vive com a mãe Thalita e o irmão Inigo na incrível Milton Magna Hall, uma casa histórica e admirada pelos mais tradicionais. Entretanto, a família passa por dificuldades para manter o local depois que Archie, marido de Thalita, morre na guerra.

Em um dia, enquanto esperava ônibus para ir para casa, Penélope conhece Charlotte Delancy que a convence a ir tomar chá na casa de tia Clare. Penélope embarca nessa aventura e também conhece Harry, filho de tia Clare.

“Lá estava eu, pensando no cantor Johnnie Ray e esperando pacientemente com duas senhoras, um rapaz de uns 14 anos e uma jovem mãe com seu bebê, quando meus pensamentos foram interrompidos pela chegada de uma moça muito magra vestindo um casaco longo verde-água. Era quase tão alta quanto eu, o que chamou minha atenção na mesma hora, já que tenho quase um metro e oitenta quando estou de sapatos. Ela parou diante de todos nós e limpou a garganta. 
- Alguém quer dividir um táxi? – perguntou...”

Harry passa por dias complicados, pois sua ex-namorada Marina irá se casar com George. Com a pretensão de deixá-la furiosa, Harry então convence Penélope a fingir ser sua namorada. Os dois atuam, mas sem saber se a praticidade da atuação se deve ao fato de serem bons em mentir ou se realmente estão se apaixonando um pelo outro.

“Harry chegou mais para frente na cadeira e eu coloquei minha mão sobre a dele. Nós nos olhamos e nos esforçamos para não rir. Ele chegou ainda mais perto. 
- O que podemos fazer – sussurrei – para deixá-la ainda mais irritada? 
Harry sorriu e afastou uma mecha de cabelo dos meus olhos. Por um momento, aquela coisa que flutuou entre nós na Longa Galeria voltou e eu não quis afastá-la. Nunca.
- Não sei, meu bem. Estou me perguntando se eu ainda me importo”.  

Quanto ao amor de Harry e Penélope fica pairando pelo ar. Já o amor de Charlotte e Penélope pelo cantor americano Johnnie Ray é real e vivido ao longo de todo o livro. Para quem possui algum ídolo, é levado a sentir junto com as duas personagens a paixão inexplicável por um artista, assim como sonhar em ser sua amada.

“- Acho que Jazz é muito importante – disse eu com pompa, mas Charlotte não disse nada. Posso contar a ela. Pensei. Ela vai entender. Respirei fundo. – Mas eu... prefiro, bem, na verdade, sou completamente apaixonada por... por... Johnnie Ray – admiti. 
Pronto. Eu dissera. Charlotte fingiu desmaiar. 
- Graças a Deus! – disse ela – Acho que ele é o homem vivo mais adorável!
- Acha?
- Claro. Como alguém pode não achar?
- Você acha que ele pode vir a Londres e se casar conosco?
- Ele seria louco se não fizesse isso – disse ela, sem qualquer ironia”

Por outro lado, Inigo encontra sua única paixão na música. Apaixonado pelo estilo de vida americano, ao qual sua mãe reprova, ele ama as correspondências que seu tio Luke manda dos Estados Unidos. Um dos presentes recebidos foram as primeiras canções gravadas por Elvis Presley. Daí em diante, o garoto tem a certeza de que quer seguir esta carreira.

“Quando conto para as pessoas sobre a primeira vez que escutei Elvis cantando 'Mystery Train', elas não acreditam em mim. A não ser que Sam Phillips tivesse outros amigos de Memphis que viajaram para a Inglaterra, no final de dezembro, carregando discos de seu minúsculo selo, o que sinceramente duvido, Elvis não apareceu em nosso país antes do início de 1956. Ainda assim, ali estávamos nós, no salão de Magna, nas primeiras horas de 1955, escutando o homem que ficaria conhecido como ‘O Rei’. Eu gostaria de poder dizer que eu sabia, desde aquele momento, que Elvis iria mudar tudo”.

O livro ainda tem outros personagens que ganham destaque como Rocky, Christopher, Mary, Andrew e outros.

O que mais chama a atenção e faz você se apaixonar por A arte perdida de guardar segredos são as descrições dos cenários, fazendo com que você viaje para 1954, na Inglaterra. O estilo de vida dos adolescentes da época, a forma como é demonstrada a importância do rádio e algumas curiosidades sobre a cultura inglesa.

“Ficamos sentadas com Andrew por quase uma hora. Ele era engraçado e charmoso, atencioso e doce, e se ele se importou por Charlotte ter me levado junto, não demonstrou nenhuma vez. O lugar se encheu à nossa volta com rapares usando jaquetas com gola de veludo, concentrados em seu mundo próprio, conversando sobre discos, roupas e tumultos nas ruas. O que mais me surpreendia era como todos eles eram jovens. Quero dizer, onde estavam suas mães? As pessoas passavam pelo café e nos olhavam, o que fazia com que eu me sentisse em perigo e em segurança ao mesmo tempo. Era uma sensação boa, entusiasmante, uma sensação que eu nunca experimentara com nenhum dos rapazes chatos com quem eu estava acostumada. Queria que todos me vissem, queria que Hope Allen pensasse que eu também podia conversar com Teds. Isso é viver!, pensei orgulhosa”

Se você curte romance, com certeza irá se aventurar com o livro! ♥

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s