Arquivo da tag: livro

A arte perdida de guardar segredos

A escritora Eva Rice simplesmente deu vida a uma história incrível e de amores. Diversos amores. A arte perdida de guardar segredos fascina pelos detalhes criados por Rice. Se passando no período pós Segunda Guerra Mundial, viajamos para a Inglaterra, precisamente, nos anos de 1954/55.

a-arte-perdida-de-guardar-segredos Continuar lendo A arte perdida de guardar segredos

Coloque Alice na sua lista de livros para ler em 2015!

Eu sempre ficava naquela: Ah! Alice é um livro de criança! Que babaquice! Um belo dia cheguei a faculdade e uma colega de turma estava em dúvida sobre prosseguir no curso e então a professora virou para ela e disse: Você conhece a historia da Alice? Não – respondeu a menina.  E então ela citou uma das partes mais legais do livro onde Alice pergunta ao Gato de Cheshire qual caminho deve seguir, sem saber para onde ir. Sabiamente o gato responde que para quem não sabe aonde ir qualquer caminho serve.

Não sou muito fã de clichês, mas naquele momento essa frase soou nos meus ouvidos como aquelas frases de efeito impactantes. No outro dia comprei o livro e não consegui parar de ler! Me surpreendi em cada pedaço. A riqueza de detalhes usada pelo celebre Lewis Carrol é surpreendente!  E dá para acreditar que ele era matemático? Pois era! E essa obra tem até certas doses de matemática e física. Você não está acreditando, né? Mas podemos percebê-las nas discussões sobre relações inversas travadas entre o Chapeleiro e a Lebre, na ponderação sobre o conceito de “limite”, feita quando Alice se vê encolhendo magicamente. Obviamente que tudo de maneira muito abstrata.

Mas então por que ler Alice?

20150123_202140

Porque te faz pensar. Te remete ao mundo ilusório das maravilhas, onde tudo de mais louco pode acontecer. Onde você se perde por diversas vezes, entende-se perder não por caminhos, mas sim como desconhecer-se pessoalmente.  E, diga-se de passagem, quantas vezes não encontramos o “Coelho apressado” em nossos caminhos reais? Usando as teorias da semiótica podemos fazer traduções dos personagens para o mundo.  A escritora Ana Maria Machado diz que Alice é uma história que não adianta contar ou resumir, porque o que ela tem de divertido é o fato de conseguir fazer o leitor “pensar e sorrir ao mesmo tempo, na iluminação íntima de entender uma coisa inteligente”.

Quer uma dica para 2015? Leia Alice no País das Maravilhas! Aceita outra dica? A edição da Ed. Jorge Zahar da coleção “bolso de luxo” é linda (capa dura, ilustrações originais e contém a continuação da obra “Alice através do espelho”). Além do mais é baratinha! E se você já dispensou o formato de livro físico não tem problema, já encontramos Alice na versão digital e da mesma editora.

20150123_202009

Boa leitura!

—————————————-

avatar_gabriela_calazansGabriela Calazans

gabrielacalazanslopes@hotmail.com

Aspirante a jornalista, curiosa sempre e ansiosa por natureza! Tricolor apaixonada! Coração valente e coluna de 80. Trabalhos sociais a encantam! Ama ler. Mas é bem chata… Romances e auto-ajuda não são seu forte. Os modinhas ela deixo de lado também. Viaja em seus roteiros (mentais). Nas horas vagas alegra a vida das pessoas (ou perturba rsrs). Assiste a seus filmes favoritos repetidas vezes. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban encabeça essa lista. Metida a técnica de informática e fã das vídeo-aulas do youtube. Sociável! Questionadora! Sonhadora! Palhacinha! Ela, Gabi!

Um livro para ser lido, relido, imaginado e interpretado: Neuromancer

Hackers, ciberpunk, tecnologia, matrix, simstim, modificações corporais, drogas, álcool. Eu seria muito simplório se eu resumisse toda a obra produzida pelo brilhante autor William Gibson com apenas estas palavras. Uma novela que, sinceramente, irá perpetuar por gerações e gerações. Intrigando, inspirando e promovendo uma cultura que hoje conhecemos como cibercultura, o livro em questão é o Neuromancer

O texto foi produzido em 1988 e antecipa tecnologias e ideias que só seriam possíveis anos depois de sua publicação. Realidade virtual, robôs, ciborgues, e operações mirabolantes misturando funções orgânicas e cibernéticas, serviu, inclusive, de inspiração para um dos filmes mais conhecidos de Hollywood: The Matrix. E, também, o mangá (que depois virou anime e filme) Ghost in The Shell (que por sinal, na minha opinião, é o melhor anime de todos os tempos).

92650-1

Hosaka é uma AI (inteligência artificial) que aparece durante o livro e interage com os personagens de acordo com a “necessidade”.

Quando comecei a ler o romance, me esforcei ao máximo para que eu pudesse interpretar todo o conteúdo escrito por Gibson nos moldes do que foi o filme estrelado por Keanu Reeves. Atitude errada. O comportamento de Case (personagem do Neuromancer) sua aparência e reações se dão de forma completamente diferente de Neo (personagem do filme Matrix). Outras figuras como Molly, Armitage e o Wintermute fez da minha cabeça um pouco confusa ao imaginar todo aquele conteúdo nos moldes propostos pelos irmãos Wachowski.

matrix1

Já em Ghost in The Shell, os personagens foram muito bem interpretados. Invertendo os papeis principais do livro Neuromancer, no anime, a coadjuvante da série é a ciborgue Motoko Kusanagi (mais conhecida como Major), ao invés de Case (ou Neo, em Matrix).

Se pretende ler o livro, tenha preferência para um período do dia, da semana, do mês ou da vida que esteja com um tempo extra. Demore em cada página, capítulo ou parte, pois todo o conteúdo é interligado como uma rede. Cada acontecimento leva você a concluir coisas que estão implícitas na obra. Esqueça Neo, esqueça Morfeu e até a Nabucodonosor (a nave mais conhecida do filme Matrix). Todos estes elementos pertencem a obra cinematográfica, já os elementos do livro, é outra coisa. Uma coisa muito maior, complexa e instigante.

Na minha opinião um livro que é relativamente pequeno. Porém, se tornou grande devido a complexidade que o autor expõe as cenas, os cenários e as características dos personagens. A cada página, minha vontade foi de pegar um caderno sem pauta para desenhar todos os detalhes que eram contados. Ao ponto de eu demorar um dia inteiro lendo um único capítulo, me esforçando para reconstruir aquelas palavras na minha mente.

wm-design-0

Inclusive foi feito um game intitulado Neuromancer (que para ser sincero eu ainda não joguei)

Caso tenha se interessado pelo livro, não pense duas vezes em adquiri-lo. Na verdade a proposta do autor é ler todos os livros que formam uma trilogia chamada de Trilogia Sprawl. Infelizmente, por enquanto, só li o primeiro livro da série. Ao final do livro, pelo que me parece, existe uma abertura para a continuação do trama do cowboy (hacker) Case e seus “parceiros”. Aqui no Brasil a série é publicada pela editoria Aleph (especializada em romances científicos), a média de cada edição varia de R$ 44,00 à R$39,00. Independente do preço, vale a pena abrir um espaço na prateleira para estes livros, que por sinal, são de tirar o fôlego.

————————————————————————————————————

avatar_lucas_portilhoLucas Portilho
correio.portilho@gmail.com

Alguns o chamam de nerd, CDF ou geek, mas na verdade é tudo isso e mais um pouco! Tem mania de pesquisar tudo sobre tecnologia. Gosta de jogos eletrônicos e seu esporte favorito é o… Hockey Sobre a Grama (heim?). Pessoas sedentárias têm sua simpatia (afinal é uma delas). Quote: “May the force be with you, or not, you can choose!”

Para quem gosta de contos de fadas, As Crônicas Lunares é uma aposta certa.

Nem todos os contos de fadas começam com “Era Uma Vez”. Nessa nova versão da clássica historia de Cinderela, a heroína é uma cyborg, uma mecânica talentosa que vive em um mundo futurístico na Nova Pequim, onde humanos e cyborgs vivem divididos pelas diferenças entre eles. Lihn Cinder se encontra no centro de uma batalha intergaláctica ao ter seu caminho cruzado com o charmoso Príncipe Kai em meio a uma crise onde uma doença mortal está atacando os habitantes da cidade. Com a ajuda de sua fiel companheira, a robótica Iko , Cinder precisa lutar pela sobrevivência do seu planeta e descobrir os segredos de sua própria existência.

A princípio, eu tive uma resistência enorme para ler esse livro, acreditando que uma versão steampunk de Cinderela não poderia ter um bom resultado. Cinder é o primeiro livro da saga As Crônicas Lunares (trazido para o Brasil pela editora Rocco em 2013) e definitivamente superou todas as minhas expectativas. A autora Marissa Meyer conseguiu criar um universo incrível, transformando um simples contos de fadas em uma saga que mistura ficção cientifica, fantasia, romance e mistério em perfeitas proporções. Tudo o que eu havia imaginado sobre o livro foi rapidamente desconstruído e a história me prendeu do início ao fim.

Cinder não é apenas uma adolescente comum colocada em meio a um drama onde ela busca por um final feliz, mas uma heroína inteligente, corajosa e atenciosa que luta por uma causa nobre, mesmo que isso custe sua liberdade e até mesmo sua vida. A  trama é extremamente envolvente, um mundo distópico fantasticamente desenvolvido e personagens tão apaixonantes que você só vai querer mais. Desde o charmoso e educado príncipe, até a simples, porém divertida robô Iko, vão te envolver e conquistar.

cinder
E, claro! A clássica cena de Cinderela perdendo seu sapatinho enquanto corre do príncipe não poderia faltar, porém com um contexto completamente diferente e muito mais emocionante.

Vale mencionar que Cinder é apenas o primeiro de uma saga, seguido do livro “Scarlet“, onde Linh Cinder divide o palco com Scarlet, a protagonista da nova versão de Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau (sim! Com direito ao lobo, mas de uma maneira que você não espera), Cress, a Rapunzel (a forma como a clássica historia de Rapunzel na torre é retratada nesse livro é incrível!) e Winter (Branca de Neve e os Sete Anões e acontece na Lua! Porém não foi lançado ainda). Mas não se preocupe, todos os personagens estão conectados, Cinder está em todos os livros e ao longo do caminho sua jornada cruza com a dos outros personagens e todos possuem um destino em comum.

Lunar-Chronicles-by-Marissa-Meyer

Um saga que sem dúvida vale a pena ler. Ela está no top 5 das que mais gosto e garanto que não vai desapontar quem gosta do gênero.

Para ler sem parar nas férias: Febre Negra, o primeiro livro da série Fever

UM BOM DIA É AQUELE EM QUE NÃO HÁ NINGUÉM TENTANDO TE MATAR. ULTIMAMENTE NÃO VEM SENDO FÁCIL TER UM BOM DIA

Procurando um livro sensacional para ler nas férias? De preferência um que não te deixe levantar da poltrona antes de virar mais uma página? O chamado page turner? “Só mais uma, só mais uma”, e quando vê já está na metade do livro, 5 da manhã e você deveria estar dormindo…

Pois é. Febre Negra (Dark Fever, 2006), trazido para o Brasil pela editora Novo Século, é o primeiro dos cinco livros da série Fever, da autora Karen Marie Moning, publicados entre 2006 e 2011 nos Estados Unidos.

Febre Negra trata-se de uma fantasia urbana com romance e elementos paranormais. A personagem principal é MacKayla Lane, uma americana do interior, sem grandes ambições, que tem sua vida mudada quando sua irmã é assassinada na Irlanda, onde fazia intercâmbio.

Após um período de luto, Mac vai para Dublin em busca de respostas e justiça. A partir daí uma série de personagens misteriosos e incrivelmente “interessantes” surgem para compor o plot bem amarrado que torna a leitura extremamente agradável e imersiva, em “um mundo de sombras onde nada é o que parece, pois tanto o bem quanto o mal usam a mesma bela e traiçoeira máscara. Em meio a descobertas, Mac se depara com um desafio pessoal: preservar a própria vida enquanto lida com poderes que jamais imaginou ter. Dotada de faculdades especiais, ela pode ver além do que meros humanos veem. MacKayla pode enxergar o ameaçador domínio dos Fae…”

O romance da história, entre Mac e misterioso (demais) Jericho Barrons, se desenvolve aos poucos, e de forma natural. Neste tipo de livro é comum os romances serem forçados, artificiais ou melodramáticos, o que não acontece em Febre Negra! Realmente me surpreendi com a forma equilibrada com que romance e plot caminham até o final do livro (o qual, diga-se de passagem, li em dois dias).

Levante a mão quem procura imagens de personagens de livros no Devian Art
Levante a mão quem procura imagens de personagens de livros no Deviant Art

Para quem gostou da série Crepúsculo (não gostei, mas li tudo kkk), Dark Fever, sozinho, já é um livro muito superior à série Crepúsculo inteira. Seria até covardia comparar, mas como é muito popular, vale dizer: se você curtiu Crepúsculo, leia Febre Negra. Você vai encontrar tudo o que tinha em Crepúsculo e algo mais importante: uma história excelente, mais madura, personagens coerentes, sensualidade muito mais convincente e romance envolvente. Isso sem exagerar nos adjetivos…

Febre Negra

De todos os livros para jovens adultos que li até hoje, estou oficialmente colocando Febre Negra no TOP 1.

Bastou para você? Então aproveite as férias para ler e bem-vinda (o) ao vício da Série Fever de Karen Marie Moning.

Para dar um empurrãozinho, tá aqui o primeiro capítulo para você!

Depois volte para contar o que achou!

—————————————————————

avatar_renata_pradoRenata Prado
pradorenata@gmail.com

Multitask por natureza, é professora, pesquisadora, jornalista e doutoranda em Tecnologias de Comunicação e Cultura. Tem planos para dominar o mundo, mas boa parte do tempo fica feliz lendo um bom livro.  Ama cachorros, é vegetariana e possui sangue nerd correndo nas veias.